No
âmbito das comemorações do Ano da
França no Brasil, os dois países apresentam
mostras que possibilitam um melhor conhecimento dos acervos
existentes sobre o rádio. Do Brasil, serão
apresentadas exposições organizadas pelo
Arquivo Nacional e pela Empresa Brasil de Comunicação
com fotografias e registros sonoros e visuais das emissoras
públicas e da época de ouro do rádio
no país; pela França, o Institut National
de l’Audiovisuel (INA) nos envia uma série
documentos audiovisuais que nos possibilitam uma viagem
pelo melhor do acervo da instituição que
tem sob sua guarda registros do rádio e da televisão
francesa, em sistema de depósito legal.
Nas
ondas do rádio...
Mostra de fotografias do acervo do Correio da Manhã,
sob guarda do Arquivo Nacional, que ajudam a contar a
história do rádio, de sua época de
ouro, de seus tipos e personagens da música, radiojornalismo
e radiojornalismo esportivo, humor e radionovela.
O
rádio no Brasil: Roquette-Pinto 125 anos
Médico legista, professor, antropólogo,
etnólogo, ensaísta brasileiro, Edgard Roquette-Pinto
(1884-1954) é também considerado o "pai
da radiodifusão brasileira”. Suas múltiplas
atividades levaram Ruy Castro a defini-lo como um “homem-multidão”.
A definição, que resume a complexidade deste
fantástico ser humano, está registrada em
inúmeros flagrantes captados por ele mesmo com
as ferramentas tecnológicas disponíveis
em sua época. Assim foi em 1912, durante expedição
do Marechal Cândido Rondon, quando fotografou os
índios nambiquara até então sem contato
com a civilização. Onze anos depois dessa
viagem científica ele aventura-se por outras ondas:
as ondas sonoras da radiodifusão. Junto com companheiros
da Academia Brasileira de Ciências funda a Rádio
Sociedade, atual Rádio MEC. Foram 70 anos de vida
repleta de realizações – do rádio,
passando pelo cinema, e ainda a televisão. Foi
precursor da idéia da televisão pública
comprometida com a educação e a cultura.
Essa última não teve tempo de ver florescer,
mas os registros mostram que o sonho de Roquette em 1952
se mantém atual neste século XXI.
Rádio
MEC: pioneirismo e compromisso
Há 86 anos o Brasil ganhava sua primeira emissora
radiofônica. Era a Rádio Sociedade do Rio
de Janeiro que surgia movida pelo sonho de cientistas
da Academia Brasileira de Ciências, liderados por
Edgard Roquette-Pinto e Henrique Morize. Com o lema “Pela
cultura dos que vivem em nossa terra – pelo progresso
do Brasil”, a Rádio Sociedade cumpriu importante
papel como disseminadora de cultura e educação,
em uma época em que as comunicações
eletrônicas davam os primeiros passos. Treze anos
depois de sua primeira transmissão, Roquette-Pinto
e seus companheiros decidem doar a rádio ao Ministério
da Educação e Saúde, como forma de
preservar os compromissos que lhe deram origem: servir
ao povo brasileiro e à educação.
Assim, surge, em 1936, a Rádio Ministério
da Educação, que vai se consolidar no decorrer
dos tempos como a Rádio MEC, que até hoje
mantém viva a herança de Roquette. Os documentos
iconográficos e sonoros reunidos nesta exposição
traçam parte desta história.
Rádio
Nacional do Rio de Janeiro
A Rádio Nacional do Rio de Janeiro é historicamente
reconhecida como referência de programação
plural e popular. Fundada em 1936 é, na realidade,
responsável pelas matrizes que formam hoje o rádio
brasileiro: a música, a informação,
o humor, a dramaturgia, o esporte e os programas de auditório.
Emissora por onde passaram grandes intérpretes,
maestros e compositores e de onde foram transmitidas as
radionovelas que enriqueceram o imaginário do brasileiro,
a Rádio Nacional passa por ampla reformulação
estrutural, técnica e de sua programação
com os olhos no futuro sem esquecer, porém, das
suas características históricas.
Como
se faz uma radionovela
Edição de radionovelas. Já houve
tempo em que o rádio era o maior celeiro de atores
e atrizes do teatro, televisão e cinema brasileiro.
O radiodrama, ou radioteatro foi responsável por
atrair a atenção de multidões que
acompanhavam os episódios das novelas e dos programas
de humor que tinham na Rádio Nacional do Rio de
Janeiro sua principal emissora. Hoje, o que se pretende
é consolidar um projeto para retomar este gênero
radiofônico e voltar a realizar, em novo formato
e com conteúdos atualizados, as histórias
que só a magia do rádio pode oferecer.
Câmara
escura: viagem ao universo do som
Rádio é música, palavra, ruídos
(sons) e silêncio. O conjunto de sons do nosso cotidiano,
sons da natureza – água, fogo, fenômenos
naturais, sons do cotidiano, do tempo (relógio),
máquinas, multidão, sussurro, trânsito,
ferrovia, navio, avião, uma gota d'água,
sons da noite, sons rústicos, sons de criança,
jovens e adultos, do medo, da alegria, da vida. A paisagem
imaginária!
O
rádio e o cinema na França
Projeção de raras e preciosas fotografias,
filmes e registros sonoros do acervo do Institut National
de l’Audiovisuel que contam parte da história
da mídia na França, e do acervo sob a guarda
do INA – instituição que abriga os
registros da produção audiovisual da televisão
e rádio franceses em regime de depósito
legal.