HISTÓRICO:
A
remodelação do conjunto arquitetônico
do Arquivo Nacional
e o aumento substancial da quantidade de filmes sob a custódia
da instituição motivaram o surgimento do Festival
Internacional de Cinema de Arquivo – RECINE, em 2002.
Em parceria com a produtora Rio de Cinema Produções
Culturais, o Arquivo coordena as atividades do evento que
é composto de uma oficina de vídeo; do lançamento
de uma revista; de duas mostras de filmes, sendo uma competitiva
e outra informativa; de palestra e debates com convidados
nacionais e internacionais; de exposições
e homenagens a personalidades ligadas ao tema anual do Festival.
O
acervo de imagem em movimento sob a guarda de instituições
públicas e privadas contém verdadeiros tesouros
constituídos por registros de épocas e de
fatos que revelam aspectos da sociedade sob inesgotáveis
pontos de vista. Há oito anos, o Festival dá
visibilidade aos filmes que utilizam estas imagens em
suas produções e incentiva a utilização
deste material em novas realizações.
A
primeira edição do Festival apresentou um
amplo debate sobre os problemas de preservação
encontrados pelas instituições detentoras
de acervo. Em 2003, uma mostra de filmes censurados fixou
de forma definitiva o evento cinematográfico no
calendário cultural da cidade. O impacto na comunidade
foi de tal forma evidente que de Mostra o RECINE passou
a ser um Festival Internacional de Cinema de Arquivo.
O número de dias e horas foi ampliado, assim como
a quantidade de atividades.
Atraindo
convidados estrangeiros, o RECINE passou a contar em 2004,
ocasião em que o tema anual escolhido foi As Revoluções,
com uma revista vinculada ao evento. Um vasto programa
direcionado para a rede escolar passou a cumprir o papel
de despertar os jovens para a preocupação
com a memória histórica do país.
Não
por acaso, o Festival, em 2005, decidiu
contar um pouco da história da Televisão,
uma memória em risco. Todas as atividades foram
desenvolvidas e cresceu em razão geométrica
o número de participantes. No ano seguinte, em
2006, decidimos mostrar os grandes
movimentos das vanguardas que proliferaram pelo mundo,
a partir do início do século XX, deixando
para as gerações futuras a convicção
de que o campo da arte, e a própria vida pessoal,
é um mundo em construção e invenção.
Valorizando
sobremaneira os acervos sob a custódia do Arquivo
Nacional, em 2007, o RECINE voltou-se
para a Imprensa. O que se diz do cinema e o que o cinema
tem dito da imprensa foi abordado exaustivamente. Os fotógrafos
e críticos de cinema tiveram destaque nesta edição
que colocou a imprensa sob o olhar crítico de historiadores,
artistas e estudantes de diversas áreas.
Em
2008, o Festival debruçou-se
sobre a relação do Cinema com o Futebol,
no ano em que o Brasil comemorava os 50 anos da primeira
conquista de uma Copa do Mundo. A relação
entre esporte e cinema é rica e intensa, contudo,
em relação ao futebol, dentre outros destaques,
analisamos a razão pela qual os filmes de ficção
jamais conseguiram contagiar o torcedor com a mesma paixão
que ele demonstra nos estádios.
CINEMA NAS ONDAS DO RÁDIO:
O rádio é um meio de comunicação
onipresente e percebido como invisível. Desde o
advento do cinema sonoro, e agravada com a chegada da
televisão, ao rádio é atribuída
uma deficiência: a cegueira. No entanto, o fato
de não lançar mão da imagem como
recurso de comunicação é negativa
somente em aparência, pois o rádio nos informa
e nos entretêm nos liberando de uma atenção
exclusiva. Podemos ouvi-lo enquanto desenvolvemos outras
atividades do nosso cotidiano e isto lhe confere uma enorme
riqueza e versatilidade. O rádio encontra seu espaço
em situações bastante diferentes e, embora
em movimento contínuo, perfaz o caminho entre a
intimidade e a privacidade, e, sem um formato rígido
e específico, muda de pele e adapta-se a todas
as situações.
O
mito da cegueira não é necessariamente um
pecado original, um defeito. Isto não faz justiça
a algo sobre o qual não estamos acostumados a pensar:
o som. Nossa vida é feita de sons de todos os tipos,
há uma trilha sonora incessante que nos acompanha
do início ao fim de nossas vidas: o som da natureza,
o som urbano, as pessoas ao nosso redor, todo o tipo de
objetos e música em toda parte. O som que nos rodeia
é parte de nós e não podemos vê-lo,
mas ele é suficiente para que identifiquemos as
ações que o produzem de forma clara e evidente,
transformando uma aparente deficiência em qualidade.
E
é sobre este poderoso meio de comunicação
que o RECINE, em sua oitava edição, se debruça.
Investigando sua força e sua relação
com o Cinema: invenções contemporâneas
no tempo e com histórias interligadas e complexas,
com momentos de extrema proximidade, outros de distanciamento.
O
encontro do Cinema com o Rádio é apresentado
na mostra informativa de filmes; nas palestras e debates
que discutirão preservação dos acervos
de áudio, rádio do futuro, radioarte e rádio
digital; nas exposições montadas pelo Arquivo
Nacional, pela Empresa Brasil de Comunicação
e pelo Institut National de l’Audiovisuel (INA),
e na revista RECINE 2009, editada especialmente para esta
edição do Festival Internacional de Cinema
de Arquivo.