Um arquivo na mão
e uma ideia na cabeça!
Para os documentaristas
de cinema, o uso de materiais de arquivo é indispensável.
Não são novidades para eles os problemas
de quem necessita de imagens esquecidas, que pedem para
ser redescobertas. O pesquisador sofre e é quem
mais tem consciência da precariedade desse mundo
da memória audiovisual e sua preservação.
A apropriação de imagens esbarra na questão
dos direitos autorais, mas não se sabe o futuro
dos direitos no universo da convergência digital.
Sons e imagens viram fumaça quando caem na rede,
sem controle de direção e posse. Esse assunto
desperta um debate acalorado.
O REcine adotou, desde 2004 uma forma legalizada de incentivo
à produção de curtas com imagens
de arquivo. Um cinema que utiliza acervos para refletir
sobre o passado, como poesia, informação
ou experimentalismo. Por sete anos, foram disponibilizadas
imagens de domínio público aos alunos da
Oficina de Vídeo do REcine, que já teve
a orientação de cineastas como Vladimir
Carvalho, Sílvio Tendler, Arthur Omar, Sílvio
Da-Rin, Eduardo Escorel, Carlos Alberto Mattos e professores
do curso de Cinema da UFF. Cada aluno produzia, editava,
sonorizava... Quase uma centena de filmes individuais
de curta metragem foi produzida em sete anos de Oficina.
Quando chegou a décima edição do
festival, agora em 2011, a vontade de mudar e melhorar
nos mostrou que devíamos contribuir para a profissionalização
dos alunos, levando-os a compreender que o cinema exige
a mesma integração do futebol – um
trabalho de equipe!
Sob a orientação de Luiz Carlos Lacerda,
construímos um novo conceito: uma oficina de dez
grupos, em que cada membro teria uma função:
produtor, pesquisador/ roteirista, fotógrafo, editor,
sonorizador (ou trilheiro/sonoplasta) e diretor.
Outra modificação viria para valer: haveria
um tema! Se a Mostra Informativa do REcine estava voltada
para “A Itália e o cinema no Brasil”,
os curtas da Oficina poderiam buscar a Itália na
cidade do Rio de Janeiro.

DOVE E L’ITALIA?
Luiz Carlos Lacerda, cineasta.
Já é bastante difundida a importância
da presença cultural da Itália tanto em
São Paulo quanto no Sul do nosso país. Seja
através da culinária, da influência
na vida artística ou na política e na gastronomia.
Mas nunca voltamos maior atenção para
identificarmos onde está a Itália na cultura
carioca. Estará nos mais importantes acontecimentos
culturais que marcaram a vida da cidade no âmbito
do espetáculo, da música, da arquitetura,
dos costumes ou da política? Onde ela se manifesta
com maior vigor – que já nem nos damos conta
de tão incorporados que estão?
A intenção dessa proposta da Oficina de
Vídeo do REcine 2011 é mesclar a já
tradicional utilização de imagens de arquivo,
objeto de pesquisa no âmbito do acervo do Arquivo
Nacional pelos participantes, com a captação
de imagens que revelem ou confirmem nossas possíveis
descobertas investigativas. Ou pelo simples prazer na
procura dessas imagens.
DOVE E L’ITALIA pretende responder a algumas dessas
questões, sem deixar de evocar essa herança
do humor e do dolce far niente antropofagicamente incorporados
pelos cariocas na sua maneira de ser.
Se “tudo acaba em pizza” e o pão
com mortadela é o farnel mais popular e preferido
de quem vive no Rio, alguma coisa acontece nos nossos
corações que nos identifica e nos ajuda
a formatar a nossa identidade cultural.